Antonio Bruno

Repertório Musical


Paulicéia Desvairada
Antonio Bruno

Minha Paulicéia desvairada!
Que loucuras tua madrugada
Fez no transitivo verbo amar (E assim nasceu a Poesia)
Foi ensandecendo, pouco a pouco
Mais que sábio, quase ficou louco
Esse teu poeta popular (vendo a garoa que caía)
 
Minha Paulicéia desvairada!
Teu destino é ser a encruzilhada
Dessa gente toda que te amou (com saudade da Pátria distante)
Linda prostituta de asfalto!
Tua voz já soube falar alto
Quando a Liberdade te chamou (pois a Liberdade é nossa amante)
 
Essa Tarsila tão bela, na vida, na tela, na luz e na côr
E essa Pagu, o Ideal, a tortura, a coragem, eu sei como dói
E o Trenzinho Caipira, o Museu, Villa Lobos, Chatô e o amor
O Anarquista é Poeta, é Profeta, é um Deus, mais que isso: é Herói
 
Nesse desvario que me invade:
Multidões de Mários de Andrade
Hão de te cantar pelos cortiços (Se eu me chamasse Raimundo)
E nas oficinas, nas esquinas,
Vejo seus heróis Macunaímas
Nesse povo lindo de mestiços (De todas as raças desse mundo)
 
Minha Paulicéia desvairada!
Eu te ofereço, ó minha amada!
Por essa loucura que me invadem (No final do túnel, a Lanterna)
Pelas avenidas, nas vielas
Nesses palacetes, nas favelas,
Um milhão de Oswaldos de Andrade, (Sete dias de Arte Moderna)

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