| Minha Paulicéia
desvairada! |
| Que loucuras tua madrugada |
| Fez no transitivo verbo
amar (E assim nasceu a Poesia) |
| Foi ensandecendo, pouco
a pouco |
| Mais que sábio,
quase ficou louco |
| Esse teu poeta popular
(vendo a garoa que caía) |
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| Minha Paulicéia
desvairada! |
| Teu destino é ser
a encruzilhada |
| Dessa gente toda que te
amou (com saudade da Pátria distante) |
| Linda prostituta de asfalto! |
| Tua voz já soube
falar alto |
| Quando a Liberdade te chamou
(pois a Liberdade é nossa amante) |
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| Essa Tarsila tão
bela, na vida, na tela, na luz e na côr |
| E essa Pagu, o Ideal, a
tortura, a coragem, eu sei como dói |
| E o Trenzinho Caipira,
o Museu, Villa Lobos, Chatô e o amor |
| O Anarquista é Poeta,
é Profeta, é um Deus, mais que isso: é
Herói |
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| Nesse desvario que me invade: |
| Multidões de Mários
de Andrade |
| Hão de te cantar
pelos cortiços (Se eu me chamasse Raimundo) |
| E nas oficinas, nas esquinas, |
| Vejo seus heróis
Macunaímas |
| Nesse povo lindo de mestiços
(De todas as raças desse mundo) |
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| Minha Paulicéia
desvairada! |
| Eu te ofereço, ó
minha amada! |
| Por essa loucura que me
invadem (No final do túnel, a Lanterna) |
| Pelas avenidas, nas vielas |
| Nesses palacetes, nas favelas, |
| Um milhão de Oswaldos
de Andrade, (Sete dias de Arte Moderna) |