Eram
as duas árvores frondosas
Que guardavam a entrada da cidade
Eram seus galhos, asas verdejantes
A sombra amiga para a mocidade.
A passarada ali
fazia ninhos
E a cigarrra, o estrídulo final
E os pirilampos eram como estrêlas
De uma eterna noite de Natal.
Veio o progresso
de cimento armado
E n'um instante um luzido machado
Deitou por terra uma árvore, a fim
de, coroando o êxito do asfalto
Fazer-lhes a sepultura de capim.
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Aves assustadas
esvoaçaram
Parasitas bravias ao chão rolaram
Bordando de folhagem todo o chão
Uma só árvore, ficou; mas tão saudosa
Como ferida
em pleno coração
Gentes fieram, gentes que se foram
Sempre tiveram sua sombra. E agora
Emoldurando a vista da montanha
Só uma fecha o painel a que decora.
Árvore
amiga; diz a velha Igreja
Estou tão triste pois te vi nascer
N'uma saudade os sinos vão batendo
E afigueira, espetada e triste
Vai aos poucos caindo... vai morrendo...
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