Vinha
descalço, cansado
E, com o cêsto pesado,
Quase não podia andar
Perguntei, então menino,
o que trazes p'ra vender?
Quero comprar, tenho fome,
E não tenho o que comer.
Ele olhou-me admirado,
Olhou meu carro quebrado.
Encostou no barranco
Sorriu e disse: pois não
E pondo o cêsto no chão
Mostrou-me tudo o que tinha,
Que dava para um fartão.
Camarão seco, palmito,
Um naco de peixe frito
E frutas em profusão...
Banana, cajú, pitangas,
Goiabas, laranjas, mangas
Espigas de milho verde
Batata doce, cará,
E ainda um cacho de Indaía. |
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E
enquanto os petiscos eu devorava
O pequenino sem me olhar cantava
Uma singela e singular canção
Falava na riqueza de sua terra
Na água fresca que descia a serra
Regando os bananais, descendo pró grotão
Nos mantos de arrozais que se estediam
Nos goiabais que a muitos enriqueciam
Nos vastos palmitais...
E do pescado fresco prateado
Das rêdes cheias de camarões lousados
D'uma fartura que eu não vi jamais
- Mas quem és tú? falei admirada
E donde vens a pé por esta estrada
Que aqui nesta fartura vives na pobreza?
Hé?. Não me conheces? não te levo a mal
Meu dia chegará, tenho certeza...
Eu sou... o Litoral.
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