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Homenagens

"AO GNOMO DA JURÉIA - HOMENAGEM PÓSTUMA "

Maricéia Martins Zwarg

 

O GNOMO DA JURÉIA

- ÊÊÊHHH!!!!Parnapua "fermoso"...êêê..Praia Brava Boniiiitaaa...
- Pia, pia, pia!!! O macuco na gambôôaaa...Barra do Una bendiiitaaa....
Nos anos 70 o litoral sul de São Paulo era pouco explorado turisticamente. Erguendo-se majestoso entre as cidades de Peruibe e Iguape, o maciço da Juréia abriga um complexo de praias, rios, lagos, mangues, montanhas, cachoeiras e uma floresta rica em biodiversidade de fauna e flora, abrangendo uma enorme extensão territorial. Ainda inexplorada, começa então a atrair a atenção de empreendedores que desejam ali construir um complexo hoteleiro de alto luxo, internacional, com heliporto e grande infra-estrutura compromentendo todo o ecosistema da região. Um homem magro e enérgico, professor e jornalista, levanta a voz e seu grito de "guerra" acima ecoa pelo mundo acabando por promover o tombamento da região, transformando-a em reserva ecológica e área de proteção ambiental.
Devoto de São Francisco de Assis, Ernesto Zwarg Júnior , autodenominado "o gnomo da Juréia", começa a chamar a atenção das autoridades para o perigo ao ecossistema Juréia-Itatins, através de cartas aos jornais, do seu trabalho de vereador em Itanhaém, contatos com as autoridades dos governos estadual e federal, e através da arte: promove passeatas onde teatralmente invoca a história local e a do Caminho do Imperador, o "Correio do Rei", que percorria quilômetros de matas e praias a pé para levar mensagens aos moradores; refaz o caminho e carrega consigo jornalistas, fotógrafos, equipes de TV, como Tupy e Globo, a pé, em bicicletas, barcos, caminhão. O hoje mundialmente reconhecido fotógrafo Araquém Alcântara é então repórter do Jornal A Tribuna de Santos e inicia ali sua carreira de fotógrafo da natureza, colaborando com o trabalho ecológico e preservacionista de Zwarg por muitos anos. O "gnomo" funda com amigos a "Sociedade de Ecologia de Itanhaém", com time de futebol, passeios ecológicos , faz peças e enquetes teatrais em todas as oportunidades, solenidades e festejos públicos, compõe canções de ecologia e protesto com seus irmãos Antonio Bruno e Tino e grava 3 Lps, hoje condensados em CDs; faz literatura de cordel, revistas ecológicas e milhões de panfletos com textos fortes, caricaturas com protestos bem-humorados, chamando assim a atenção do Brasil e do mundo para os problemas da região.
É ao mesmo tempo aclamado, adorado, seguido por muitos e odiado, humilhado, chamado de louco, incompreendido, ameaçado, sofrendo tentativas de suborno por outros, mas nada o detém. Tanto estardalhaço chama a atenção do então governador de São Paulo André Franco Montoro, que acaba promovendo o tombamento da região junto a União. Também a mesma época o próprio Governo Federal traz uma ameaça ao local: o projeto de construção de uma Usina Nuclear ao modelo de Angra dos Reis, no complexo Barra do Una- Juréia, uma região de belas praias habitadas por caiçaras, que são então removidos e impedidos de plantar e pescar. Terrenos são desapropriados, cerca-se a região. Mais protestos de Zwarg, passeatas, canções, danças, teatros, cartas. O projeto é cancelado. Nos anos 80 e 90 Ernesto Zwarg Jr seguiu solitário seu trabalho preservacionista , tendo o reconhecimento de diversas entidades internacionais e nacionais, como o Greenpeace e o Onda Azul, de Gilberto Gil. Tem uma participação no CD " Só não toca quem não quer", de Hermeto Paschoal, com a canção "Meu Barco", dele e seu irmão Antonio Bruno. Ganha um cargo de Assessor Ambientalista na Cetesb e seu trabalho volta-se para o direito de ir e vir na região, o turismo consciente e monitorado, e assistência às aldeias indígenas e aos caiçaras, pois ironicamente o tombamento impede pessoas não autorizadas de visitar o local, e a vida dos habitantes tornou-se limitada às ordens federais.
Ernesto Zwarg Junior, aos 84 anos, faleceu em Itanhaém, litoral de SP, onde residiu a maior parte da vida. Foi casado com Clara do Céu Martins, falecida em 1989, e tem cinco filhos, doze netos e dois bisnetos.
O passeio a pé para Iguape tornou-se uma instituição, e é promovido anualmente por empresas turístico-ecológicas, durante os festejos de Bom Jesus de Iguape, padroeiro da região. A canção "Santos Poema", em parceria com seu irmão Antonio Bruno foi oficialmente escolhida pelo atual prefeito Papa em 2008 como Hino da cidade de Santos. A Juréia-Itatins é hoje um dos pontos de equilíbrio no ecossistema do planeta, por sua extensa fauna, flora e ar puro preservados. Seu trabalho pode ser visto e relembrado e as canções ouvidas em www.zwarg.com.br . ( fev.2009 )


 
 
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